De medusa à deusa (Introdução)
Era perto do Natal, o que aumentava o fervor dos devotos. Andorinhas agitavam-se sob o céu de São Paulo, os raios de Sol em um esforço frustrado na tentativa de rasgar as nuvens. A manhã nasceu tão nebulosa quanto aquela em que a penitenciária a cercara com seus muros opressivos. Urubus voavam em círculos contra o céu cinza quando Adriana levantou os olhos para o alto, esboçando um sorriso torto. O ar pesado, mas livre do cheiro de cigarro barato. Com ela, carregava uma sacola plástica verde com alguns pertences: um batom, esmaltes, uma agenda e outros pequenos itens. Como se tentasse manter a distância entre ambos, trajando uma regata e uma calça moletom desbotadas, suas botinas marcavam um ritmo solene, à frente do guarda, no chão de pedra. Demonizada pela mídia que a retratara como uma besta fera em razão da morte de Sara Oliveira, ela seguia seu percurso contendo qualquer reação à pequena multidão na entrada do recinto. As senhorinhas de rosto inchado e expressão emocion...